23/11/2015 | Versão para Impressão

Coordenador do Museu de Medicina da USP abordou a importância do investimento e do arquivo em cera em palestra no MUHM

O Museu da história da Medicina do Rio Grande do Sul (MUHM), mantido pelo Sindicato Médico do RS (SIMERS) não apenas guarda as memórias da medicina, mas também apresenta uma rica programação cultural para os médicos e público em geral. Na última quinta- feira (19) a tarde foi marcada pela palestra do Coordenador do Museu da História da Medicina Prof. Carlos da Silva Lacaz, localizado na USP, o historiador André Mota. No auditório do MUHM, Mota apresentou o maior museu de ceroplastia da América- Latina e a importância do arquivo de cera, principalmente na área de dermatologia e para uso científico. A abertura do evento foi por conta do Diretor do MUHM, Germano Bonow, que ressaltou a preocupação do SIMERS em guardar a história da medicina e saudou a presença do público composto por estudantes de outros Estados também. “O Sindicato Médico, no qual faço parte, tem muita preocupação com a história da medicina em si, com o que acontece no nosso país, no nosso Estado, e fico contente de ver pessoas aqui de outros lugares do país nos prestigiando”, agradeceu Bonow. Mota iniciou a palestra apresentando a história do Museu de Medicina da USP, fundado em 1977, sendo um dos primeiros museus históricos brasileiros dedicados exclusivamente à preservação da cultura material e imaterial relacionada ao campo médico. Em 1993 o órgão foi denominado de Museu Histórico Carlos da Silva Lacaz, em homenagem ao seu fundador e diretor até 2002. A partir de 2007 foi criada uma subcomissão para dar novos direcionamentos institucionais ao museu. “Houve um processo do arquivo municipal e do Ministério Público contra a faculdade de medicina e eu estava fazendo meu pós- doutoramento em medicina preventiva. Não tinha nada a ver eu e o museu, mas me entregaram a chave e disseram para eu coordenar o projeto de reforma infra estrutural”, explica. Nessa época, Mota conta que muitos projetos foram elaborados no museu da USP. “Fizemos uma área de pesquisa, uma área técnica, começamos a fazer uma reforma na estrutura. Resolvemos fazer exposições provisórias e itinerantes, além de um grande projeto de acessibilidade que nos colocou entre as cinco instituições de cultura que mais investiu em acessibilidade no Estado de São Paulo”. Após apresentar um pouco do acervo do Museu da USP e explicar a higienização das peças armazenadas na instituição, o coordenador falou sobre a ceroplastia, fenômeno histórico dentro das práticas médicas. “É uma técnica, fundamentalmente, do século XXI, a época das peças em cera. Na década de 30, a faculdade de medicina de São Paulo resolve contratar um artista plástico que havia feito trabalhos para o instituto Butantã, chamado Augusto Esteves. Ele é levado para atuar em dois departamentos: Dermatológico e Medicina Legal, fazendo peças de cera em corpos de cadáveres da Santa Casa de Misericórdia”, conta. O historiador também explica a importância desse material impactante no campo histórico e científico. “Nós temos mais de 200 peças. Nelas, há uma conversa entre a parte e o corpo, o todo e a parte. Os estudos da antropologia nos trazem ,e da própria história, que nos leva a pensar muitas formas de como trazer isso e transformar em um documento, mas também algo que possa nos levar a refletir na doença”. O coordenador do Museu da USP também não deixou de elogiar o acervo, a estrutura do Muhm e sua programação cultural aberta ao público. “Aqui é um dos primeiros museus montado e pensado para receber o público de maneira geral. Os outros museus, sem dúvida aprenderam muito com o que se faz aqui. O verdadeiro museu é assim: promove debates, traz novas ideias, sabe conversar com o seu passado e estabelecer uma relação com o seu presente”, afirmou.

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